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23/08/2009
ANAFILAXIA ou REAÇÃO ANAFILÁTICA - o que é isso ?
Fátima Borges


A Reação Anafilática ou Anafilaxia é uma reação aguda, súbita , grave e compromete todo o organismo , que pode se caracterizar por coceira, erupção generalizada de urticária, vermilhidão da pele, dificuldade e ruídos para respirar, queda de pressão arterial com o aparecimento eventual de consulsões, vômitos, diarréias e cólicas abdominais.

Geralmente a pele é o tecido mais precocemente afetado, o que pode ser um sinal de alerta para a queda da pressão, tonturas e eventualmente convulsões e perda da consciência.

As causas da Reação Anafilática ou Anafilaxia são diversas, incluindo :

- alimentos (temperos, frutos do mar são os vilões)
- medicamentos (penicilina,aspirina, drogas anestésicas, contrastes, etc)
- materiais médicos que contenham látex (como luvas de borracha, catéteres, etc)
-produtos químicos (como material de limpeza, acidulantes e corantes)
- picadas de insetos, como alguns tipos de mosquitos, formigas, abelhas e vespas
- cheiros fortes (como perfumes, desodorantes, cremes, etc)

É importante ficar alerta ao contato com todos esses fatores .
A Imunoterapia e a Homeopatia tem dado bons resultados de prevenção reduzindo bastante a possibilidade de ocorrência de novas reações.

O que tem chamado bastante atenção da comunidade científica são as reações à vacinas. Estudos e e pesquisas tem sido feitos para cada vez mais diminuir esses riscos.

Faça um levantamento da sua genética, das doenças da família para ficar atento as possíveis ocorrências em você e nos seus filhos, netos . É sempre importante sabermos o nosso passado.

No reino Animal precisamos ter a mesma cautela pois se tem relatos de reações às vacinas. Informe sempre ao seu veterinário as reações alérgicas que seu PET já teve mesmo que para você possa aparecer natural e sem valor (com alimentos, cheiros, produtos químicos, etc.) .

O nosso Planeta é complexo na quantidade de coisas e fatores que ocorrem porém é singular no que chamamos de reação em cadeia.

Vamos abrir um parenteees para informar as necessidades de atenção e cuidados com o seu animalzinho . Desta forma poderemos, também estar contribuindo com as pessoas observarem mais o que comem, com que tem contato, enfim com que consomem .
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Reações Anafiláticas (hipersensibilidade do tipo I) e anafilactóides (reações semelhantes à anafilaxia mediadas por complemento) podem ocorrer em animais após a administração de qualquer material estranho ao organismo, assim como vacinas. Estas reações podem variar na gravidade, indo desde erupções cutâneas e alergias, até à severos riscos respiratórios ou sinais cardiovasculares. Por serem raros, estes episódios são aceitáveis como um provável risco do programa de vacinação. Contudo pode haver variações no índice das reações de acordo com :
- o tipo de vacina utilizada
- raça dos animais
- predisposição individual.

Vacinas que contenham bacterina (ex. Leptospira) ou vacinas que contenham um adjuvante (ex. vacina anti-rábica) são mais prováveis de causarem reações do tipo hipersensibilidade quando comparadas à vacinas que contenham somente vírus vivos modificados.

Porém devemos lembrar que podem ocorrer com qualquer vacina que se utiliza, independente de sua marca.

" Segundo Tizard, I.
" A resposta por IgE é um risco potencial a ser considerado após a administração de qualquer antígeno, incluindo vacinas."

" Segundo Greene,C.
" Os veterinários devem estar cientes sobre as possíveis complicações causadas por diferentes componentes das vacinas".

PATOGENIA

Embora clinicamente idênticas, as reações anafiláticas e anafilactóides são causadas por dois diferentes mecanismos.

Anafilaxia é uma reação inflamatória mediada através de certos tipos de anticorpos (imunoglobulinas), especialmente IgE. Não se sabe porque certos animais produzem IgE ao invés de IgG em resposta a um antígeno, no entanto, a resposta possui uma base genética, visto que em certas famílias de animais e algumas raças, tendem a apresentar alergias com maior frequência.

Animais que são geneticamente pré-dispostos têm uma grande tendência para uma maior resposta de IgE após a exposição a um antígeno.

Qualquer componente da vacina pode estimular uma resposta tipo IgE. Em animais jovens, a produção de IgE requer uma exposição inicial a um antígeno. A IgE circula no sangue em baixos níveis. A maioria da IgE produzida é atraída para a superfície dos mastócitos e basófilos. Os mastócitos são células redondas e grandes distribuídas por todo o corpo no tecido conjuntivo. Estas células são preenchidas com vários grânulos que contém histamina e outros potentes agentes biologicamente ativos. Os Basófilos são granulócitos periféricos do sangue, que circulam por todo o corpo. Eles são similares em sua estrutura aos mastócitos

Em uma exposição subsequente, o antígeno é atraído para o mastócito IgE, e se liga com duas moléculas de IgE. Isto causa a liberação dos grânulos citoplasmáticos (degranulação), onde a histamina e outras substâncias biologicamente ativas são liberadas dos grânulos. Estes fatores afetam alguns órgãos alvo :
- como os vasos sanguíneos, acarretando em danos vasculares e edema;
- as vias aéreas pulmonares, resultando em broncoconstrição;
- e os intestinos, resultando em hipermotilidade, vômito e diarréia.

Animais muito jovens podem mostrar sinais de anafilaxias, mesmo que nunca tenham sido expostos a um antígeno. Isto se deve à transferência de anticorpos maternos do tipo IgE da mãe para o neonato (cão ou gato) via colostro.

Uma vez absorvida a IgE da mãe atrairá os mastócitos do neonato sensibilizando este ao antígeno, numa exposição subsequente a este antígeno (ex. primeira vacinação) o mastócito do neonato se degranulará e os sinais clínicos serão então observados.

As reações anafilactóides são mediadas pela ativação do sistema complemento e não envolvem a produção de IgE. O Sistema Complemento é o nome dado ao grupo de 9 (nove) enzimas e proteínas encontradas no sangue e está envolvido na resposta inflamatória. As reações anafilactóides podem ser observadas em animais após a primeira exposição a um antígeno (ex. a primeira vacinação). Os componentes da vacina que estão associados com a ativação do complemento incluem os adjuvantes e as toxinas de bactérias gran-negativas. A ativação do complemento através da via clássica ou de uma via alternativa, resulta na produção de dois fatores ( C5a e C3a). Ambos fatores são biologicamente ativos e podem estimular a degranulação dos mastócitos iniciando os sinais clínicos.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Os sinais clínicos associados às reações anafilactóides ou anafiláticas são devido à ação da histamina e de outros potentes mediadores químicos liberados dos mastócitos. A gravidade da reação depende do número e da localização dos mastócitos estimulados, o nível de sensibilização do animal, da quantidade e da via de aplicação do antígeno. As duas apresentações clínicas mais comuns de reações anafiláticas em animais de companhia são urticária e anafilaxia aguda.

A urticária é causada pela degranulação dos mastócitos localizados na pele. Na pele, a histamina causa relaxamento da musculatura lisa permitindo que o plasma sanguíneo atravesse do lúmen vascular para os tecidos adjacentes. Este extravasamento de fluído resulta em um edema típico. A coceira (prurido) associado à urticária é devido ao efeito irritante da histamina nas terminações nervosas. A urticária pode ser localizada (ex. edema facial) ou difundida por todo o corpo.

Os sinais de anafilaxia aguda varia nas espécie. Em cães o maior órgão afetado pela histamina é o fígado (veias hepáticas). Os cães apresentando anafilaxia inicialmente mostram sinais de agitação, seguido por salivação, vômito, defecação e micção. Os sinais progridem para fraqueza muscular, depressão respiratória, colapso circulatório, convulsões, coma e morte. Os sinais são devido à severa hipotensão causada pelo aporte de sangue no fígado e nos intestinos.

Nos gatos, os órgãos mais afetados pela anafilaxia são os pulmões. Gatos apresentando anafilaxia coçam vigorosamente a face e a cabeça, seguido de dispnéia, salivação, vômito, ataxia, colapso e morte. Estes sinais são devido a hipotensão pulmonar com hemorragia secundária pulmonar e severa broncoconstrição.


PREVENÇÃO

É impossível para um veterinário ou um médico prever qual animal ou pessoa desenvolverá reações anafiláticas ou anafilactóides após uma vacinação.

Uma vez que o animal apresente sinais de reações anafiláticas ou anafilactóides existirá um número de alternativas que o veterinário poderá usar para prevenir a reincidência de reações subsequentes à vacinação. As seguintes orientações, aplicadas isoladamente ou em combinação, podem ser efetivas na diminuição do risco de reincidência:

1 - Reduzir o número de antígenos administrados em uma só vez. O risco de reação é maior à medida que aumenta o número de antígenos administrados simultaneamente ao animal. Isto é especialmente verdade para vacinas contendo antígenos mortos e com adjuvantes. Cada caso deve ser avaliado para se determinar a eliminação do antígeno apropriado considerando-se o risco de infecção (ex. Leptospirose, Raiva etc.).

2 - Utilizar corticóides e anti-histamínicos antes da vacinação de animais com histórico de hipersensibilidade. Embora estas drogas não previnam a degranulação dos mastócitos, elas podem mascarar a ação fisiológica da histamina. Um curto tratamento com esteróides não afetará a resposta imune à vacinação. Alguns estudos indicam que não há diferenças na resposta imune à vacinação em cães tratados com dexametazona antes da vacinação quando comparados a um grupo não tratado.
A Dexametazona pode ser administrada na dose de 0,5 - 1,0 mg/kg IV ou IM, e os anti-histamínicos podem ser administrados na dose usual anteriormente citada. Ambas as drogas deverão ser administradas uma hora antes da vacinação.

Chlorpheniramine é o anti-histamínico oral mais comumente usado em gatos (dose 2 mg/gato a cada 12 horas se necessário).


TRATAMENTO

Animais encaminhados à clínica com sintomas de anafilaxia aguda devem ser considerados como emergências médicas. A adrenalina associada à fluídoterapia intravenosa, constituem a terapia inicial de escolha. A adrenalina é a droga mais importante no tratamento de anafilaxia.. Deve ser administrada na dosagem de 0,01 a 0,02 mg/kg pela via intravenosa (se a reação for muito severa), intramuscular ou subcutânea. A adrenalina tem vários efeitos benéficos. Ela aumenta a pressão sanguínea, aumenta a frequência cardíaca, alivia o broncoespasmo, inibindo também a liberação da histamina dos grânulos dos mastócitos.

Paralelamente ao uso da adrenalina, os animais apresentando anafilaxia devem também ser tratados com corticosteróides como por exemplo a dexametazona (1 - 4 mg/kg IV) e anti-histamínicos (Fenergan - Prometazina 0.2 a 1.0 mg/Kg SC). Os esteróides são úteis pois inibem a síntese de histamina, e os anti-histamínicos bloqueiam os receptores de histamina nos órgãos alvo.

CONCLUSÃO - LEMBRE-SE:

1) TODA VACINA INDEPENDENTE DA MARCA, PODE INDUZIR UMA RESPOSTA DO TIPO ANAFILÁTICA OU ANAFILACTÓIDE.

2) É IMPORTANTE INFORMAR NOSSOS CLIENTES DE MANEIRA CLARA E PROFISSIONAL, DA MESMA MANEIRA QUE INFORMAMOS SOBRE OS RISCOS DE UM PROCEDIMENTO CIRÚRGICO, QUE A VACINAÇÃO É FUNDAMENTAL PORÉM, POSSUI SEUS RISCOS (REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE ASSIM COMO DESCRITO NAS BULAS DOS PRODUTOS) .

3) CASO SEJA OBSERVADO QUALQUER SINTOMA ASSOCIADO, O PROPRIETÁRIO DEVERÁ INFORMÁ-LO E RETORNAR COM O ANIMAL IMEDIATAMENTE AOS SEUS CUIDADOS PARA QUE O TRATAMENTO CORRETO SEJA UTILIZADO.

4) REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE, É UM RISCO ACEITÁVEL DE UM PROGRAMA DE VACINAÇÃO.

5) TODA VACINA CAUSA "REAÇÃO". A RESPOSTA IMUNOLÓGICA À VACINA É UM TIPO DE REAÇÃO, QUE PODE SER DESEJÁVEL (IgM, IgA, IgG, etc) OU INDESEJÁVEL (IgE, COMPLEMENTO, DOR, HIPERTERMIA etc.).
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Leia mais artigos na coluna da veterinária Dra. Rachel Borges no site www.fatimahborges.com.br


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